O Bambu

Bambu, a planta mágica

O fogo não destrói, a formiga não come, um eventual hospedeiro indesejado não afeta a produtividade, pelo contrário – o bambu é uma planta que consegue se expandir naturalmente e rebrota todos os anos em vários tipos de solos e climas, desde o nível do mar até 4.000m de altitude, além de ser um eficiente sequestrador de carbono na reciclagem do ar terrestre, substituindo-o por oxigênio.

Não existe nenhuma outra espécie florestal que possa competir com ele em aproveitamento por área e na impressionante velocidade de crescimento – algumas plantas podem chegar a um metro em 24 horas!

Encontrado de forma nativa em praticamente todo o mundo, o bambu apresenta mais de 1450 espécies diferentes de tamanhos muito diversos. Existem espécies com menos de um metro de comprimento até os gigantes com 25 metros de altura e 30 centímetros de diâmetro.  No Brasil temos aproximadamente 250 espécies distribuídas entre a Mata Atlântica (62%), Amazônia (28%) e Cerrado (10%).

Devido ao fácil plantio, manejo e aproveitamento, com alta produtividade e baixo custo de implantação, o bambu traz a oportunidade de pôr em prática o uso sustentável da biodiversidade brasileira, a serviço das gerações presentes e futuras.

Em termos sociais, o uso do bambu facilita a inserção social de empreendedores à margem com baixo conhecimento técnico. Seu cultivo demanda uso de tecnologia de rápida e fácil assimilação pelos produtores agrícolas, apresentando grande potencial de geração de trabalho e renda no campo.

Multifuncionalidade

O bambu é uma planta estratégica com inúmeras possibilidades e uma das matérias prima mais importante em países como a Índia, China, Indonésia, Colômbia e Costa Rica.

Há milênios, é utilizado em diversas partes do mundo para as mais diversas funções do cotidiano: estruturas de casas, paredes, telhas, portas e janelas, pisos, mobiliário, utensílios de cozinha, objetos de decoração, produção de papel, carvão, bicicletas, artigos têxteis, instrumentos musicais, irrigação, drenos, embarcações, contenção de encostas, entre outras. No Equador, Colômbia e Costa Rica, a planta é empregada na construção de pontes, paradas de ônibus, praças de pedágio e também em programas governamentais de habitações de interesse social adaptadas às mudanças climáticas.

Para a alimentação humana, o broto de bambu é rico em proteínas, vegetais, aminoácidos, cálcio, fósforo, selênio e vitaminas e capaz de ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares e câncer. Pesquisas atuais apontam para o uso da farinha de bambu no preparo de doces e massas, com ganhos sobre os métodos tradicionais.

O bambu também é uma ótima alternativa para gerar energia e garante grande quantidade de biomassa para aquecimento de caldeiras, fornos de siderúrgicas, cerâmicas e gessarias, principalmente devido à rápida perda de umidade. Em 15 dias, o bambu perde 50% de sua água, quase o dobro de outras biomassas disponíveis.

Toda esta diversidade de funções só é possível devido a características importantes desta planta: resiliência, flexibilidade e força. Essa incrível fibra vegetal é atualmente considerada o ouro verde da bioeconomia!

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Imagens captadas no Instituto Jatobás em Pardinho, propriedade de Betty Feffer. De 14 a 16 de novembro de 2009. Foto de Roger H. Sassaki.
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